Blog do Irineu
12/04/2018 10:31 em CLUBE Noticias

  

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Irineu Rodrigues

A Comissão de Constituição e Justiça teve um dia agitado ontem (quarta, 11 de abril), com os deputados tentando aprovar uma emenda à Constituição que mexe com a presunção de inocência prevista no artigo 5, e libera a prisão após condenação em segunda instância. O objetivo é acabar com essa polêmica no Supremo Tribunal Federal, que pode culminando com a soltura do ex-presidente Lula. Eram duas emendas que foram juntadas, com a nova proposta recebendo o nome anti-Lula. Os deputados Lulistas disseram que vão obstruir os trabalhos sem dó. É que a Constituição Federal não pode sofrer alterações enquanto houver intervenção como ocorre no Rio de Janeiro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que as PECs podem tramitar, sim, normalmente, mas os lulistas não aceitaram.

E na extrema necessidade de mostar à sociedade que Lula não morreeu, deputados e senadores aliados encontraram um jeitinho até irônico. Iniciaram campanha para inserir o nome de Lula em seus nomes. Gleise Hoffmann, por exemplo, quer se chamar Gleise Lula Hoffman, e pede que isso seja inserido no painel de votação. Todos os aliados fizeram a mesma coisa. Leonardo Monteiro, passaria ser Leonardo Lula Monteiro!!!

A reação do outro lado foi rápida, com deputados e senadores pedindo para inserir a palavra Moro em seus nomes. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que passaria a se chamar Rodrigo Moro Maia (risos) disse que não perder tempo com esse tipo de pedido.

Mas o clima vivido pelo Brasil está pesado! O Jornal a Gazeta do Povo, do Paraná, publicou hoje editorial alertando sobre a possibilidade de um golpe militar, frisando que tudo caminha para a população buscar justiça com as próprias mãos.

O jornal lembra o assassinato de uma vereadora no Rio de Janeiro e dos tiros disparados contra a caravana de Lula destacando que O descaso com a ordem institucional ficou visível nos dias pré e pós-decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Agentes públicos de todos os espectros políticos manifestaram ameaças, querendo impor sua vontade sobre o voto dos ministros. Na terça-feira (3), o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, escreveu no Twitter uma declaração que foi entendida como um prenúncio de golpe militar, ao dizer que o órgão está “atento às suas missões institucionais”.

E ontem o presidente Michel Temer rasgou sedas para o Exército. "Todos sabem da contribuição dos nossos militares para o Brasil" e que "todos sem exceção têm um papel a desempenhar"."Estamos todos engajados na construção de um país de paz, de prosperidade, de ordem e de progresso", disse em cerimônia de apresentação dos Oficiais Generais promovidos, no Palácio do Planalto.

E para esquentar as coisas ainda mais o Ministro Gilmar Mendes disparou contra seus colegas ontem durante o julgamento do habeas corpus do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, pelo Supremo Tribunal Federal (STF):
"É melhor suprimir a Constituição Federal, já que tem o Código Penal de Curitiba. Deviam criar a Constituição de Curitiba também", ironizou o ministro.
E no caminhar dos processos a situação de Lula se complica cada vez mais. O empresário Marcelo Odebrecht afirmou, ontem, à Justiça Federal que os e-mails entregues por ele no processo contra Luiz Inácio Lula da Silva confirmam caixa 2 e envolvimento de aliados do petista na compra de um terreno que abrigaria o Instituto Lula, em São Paulo, em 2010, no valor de R$ 12 milhões, em nome de uma empresa “laranja” parceira. Calcula-se que se condenado em todos os processos Lula receba pena de 118 anos, mas, a Constituição não permite que um cidadão fique preso por mais de 30 anos.

Um fato curioso: uma liminar impediu visita de nove governadores de estados a Lula na prisão. A cela ia virar comitê eleitoral. Será que pode?. Com a negativa a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou ontem uma diligência na Polícia Federal onde Lula está preso. E pelo menos 10 senadores vão fazer inspeção no prédio. A diligência foi recebida como manobra do PT para que autoridades visitem o presidente na prisão.
Outra notícia é que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Fernando Collor de Mello (PTC) e o ex-presidente Lula podem perder o direito a benefícios por terem ocupado o mais alto cargo da República brasileira. Por terem sofrido impeachment, e, no caso de condenação como Lula, eles se encaixam na regra proposta em um projeto de lei apresentado este mês na Câmara dos Deputados.

 

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